Escola sem partido. Com
que máscara eu vou? A máscara da neutralidade?
Está
em trâmite no Senado Federal consulta pública sobre o projeto de lei que
pretende incluir na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional o “Programa
Escola sem Partido”, também conhecida como lei da mordaça. Com tantas questões
emergentes precisando de discussão, nos deparamos com um posicionamento conservador
e moralista.
As
opiniões estão divididas pró e contra ao referido projeto. Hoje pela manhã era este o placar:
180.929
192.198
Chama a
atenção o conteúdo do artigo 5º, que trata dos deveres do professor no exercício
da sua profissão.
“não se aproveitará da audiência cativa dos
alunos, para promover os seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências
ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias” O que é audiência cativa? Em que década
estamos? Entrei numa máquina do tempo de volta ao passado? Ainda existe
educação bancária? Vivemos em um momento em que há intensa participação dos
alunos na construção de um conhecimento rico e ampliado.
A
justificativa do projeto é ainda mais estarrecedora e mostra nas entrelinhas os
verdadeiros objetivos ocultos por trás de sua formulação: “É fato notório que professores e
autores de materiais didáticos vêm se utilizando de suas aulas e de suas obras
para tentar obter a adesão dos estudantes a determinadas correntes políticas e
ideológicas para fazer com que eles adotem padrões de julgamento e de conduta
moral - especialmente moral sexual - incompatíveis com os que lhes são
apresentados por seus pais ou responsáveis.” Ao que tudo indica é a
questão da sexualidade que está em pauta, contrariando um dos temas
transversais contidos nos parâmetros curriculares nacionais, em que a questão
da orientação sexual se insere.
É função
do professor contribuir na construção de um posicionamento crítico e reflexivo
que possibilite ao aluno fazer escolhas conscientes. Para que isto ocorra, é
necessário que se criem espaços abertos de discussão, com a devida aproximação,
para que se estabeleça uma relação de confiança, despertando a curiosidade, o
interesse pela leitura, pelas pesquisas científicas, e, sobretudo, oriente para
a construção da autonomia.
Infelizmente
nem todos ultrapassam a condição heterônoma, permanecendo dependentes de uma
figura de autoridade. Assim, o professor, no seu papel de orientador precisa
ser contido, controlado e vigiado. É visto como uma ameaça.
Somos um
todo inseparável, com interesses, opiniões, crenças, vivências que nos tornam
mais ricos e únicos, o que inevitavelmente irá transparecer na nossa postura
profissional. Não é possível deixar do
lado de fora da escola esta singularidade e vestir a máscara da neutralidade.

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